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18 de Agosto de 2008

Curitiba adota novas regras para entulho

O bras com três mil metros quadrados ou mais terão de ter um plano de gerenciamento de resíduos apresentado à Prefeitura de Curitiba, propondo um sistema de separação de restos e estabelecendo qual será o destino de cada tipo de material utilizado na construção. Essa exigência, que fará parte da documentação para a liberação da obra e também da vistoria final (Habite-se), já estava prevista no Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos de Curitiba (Lei 11.682/ 2006), mas não era cobrada pelo município.

Em fevereiro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente anunciou que a legislação começaria a ser exigida em junho. Na época apenas uma construtora da cidade tinha um plano completo de gerenciamento de resíduos, o restante não. Nesses poucos meses a situação ainda não mudou. A maioria das empresas tem práticas de separação, encaminhamento e reciclagem de materiais de construção, mas não tem um plano de gerenciamento completo formalizado e aplicado.

Política

Incentivo à reciclagem

O secretário municipal de Meio Ambiente José Antônio Andreguetto adiantou que duas novas empresas de reciclagem de materiais de construção estão em processo de liberação ambiental para se instalarem em Curitiba e região metropolitana. Atualmente, existem duas: a Soliforte, em Colombo, e a Tibagi Sistemas Ambientais, em São José dos Pinhais. As empresas transformam a caliça (restos cerâmicos, concreto, pedras naturais e argamassa) em novos produtos para utilização na construção civil.

Para incentivar a instalação de novas empresas do ramo, o prefeito Beto Richa assinou, no ano passado, um decreto determinando que as calçadas de novas obras de Curitiba, licitadas a partir de julho deste ano, usassem material reciclado. Segundo Andreguetto, a exigência já foi cumprida para algumas licitações cujas obras começam nos próximos meses.

Seleção

Separe os restos de materiais de construção de sua obra em, pelo menos, cinco grupos:

1. Caliça (tijolo, telha e pisos cerâmicos, concreto, pedras naturais e argamassa). Até cinco carrinhos de mão podem ser levados pela Prefeitura, basta ligar para o 156. Quantidades maiores precisam ser levadas por transportadoras (com alvará de funcionamento) cadastradas na Secretaria Municipal de Meio Ambiente ou no Instituto Ambiental do Paraná. O material deve ser encaminhado até as empresas de reciclagem ou para um dos 10 aterros industriais da cidade.

2. Lixo orgânico. Deve ser recolhido normalmente pela Prefeitura e nunca misturado aos restos de obra.

3. Papel e plástico. Recolhido pela Prefeitura ou doado a carrinheiros.

4. Vidro, madeira e metais. Separe esses materiais da caliça. Em grandes quantidades, solicite às transportadoras para que leve esses materiais até as empresas de reciclagem ou negocie você mesmo com essas empresas. A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e até mesmo o Senai possuem uma lista delas.

5. Lixo tóxico (gesso e tintas). Pequenas quantidades podem ser deixadas nas Ruas da Cidadania da capital paranaense. Em grandes quantidades, devem ser levadas por transportadoras para os aterros industriais ou empresas de destinação específica.

Exija da empresa transportadora um documento de Movimentação de Transporte de Resíduos (MTR) detalhando quais tipos de materiais foram levados e para onde. Os MTRs serão exigidos pela Prefeitura de Curitiba para comprovar se o plano de gerenciamento foi cumprido.

Fonte: Prefeitura de Curitiba

A Nakid Construções, que faz obras comerciais, residenciais e industriais, é uma delas. Segundo o diretor da empresa, Nelson Elias Nakid, alguns materiais como a caliça (restos cerâmicos, concreto, rocha natural e argamassa) já são moídos no canteiro de obras para a reutilização em calçadas. “Há pouco tempo alguns aterros industriais passaram a se recusar a receber o gesso (material considerado tóxico), por isso estamos gastando R$ 0,50 por quilo para enviar os restos do material para uma empresa especializada no seu descarte.”

A construtora Plaenge, que construirá dois prédios este ano dentro das novas regras, também tem práticas de gerenciamento, como uso de caliça para acerto topográfico de terreno, mas não um plano formal. “A Prefeitura nos avisou que começará a cobrar o plano a partir do dia 25. Até lá, estaremos preparados”, diz o gerente de engenharia da Plaenge, Frederico Hofius.

Adaptação

Para ajudar na adaptação do mercado e dos próprios técnicos quanto a verificação dos planos, a Prefeitura optou por fazer uma mudança gradual. “Começaremos neste mês de agosto a exigir o plano de gerenciamento para obras de três mil metros quadrados ou mais. Com o tempo iremos baixando essa medida até chegar às construções com 70 metros quadrados. A idéia é que as obras menores tenham regras simplificadas e não precisem de um plano”, diz o secretário municipal de Meio Ambiente, João Antônio Andreguetto.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Pinheiro Franck, garante que as construtoras estão preparadas. “A mudança gradual foi um pedido nosso para que o setor se acostumasse.” Para Franck, a cobrança por meio da legislação é importante, mas não é suficiente para acabar com o problema do entulho. “Hoje temos apenas duas empresas de reciclagem de caliça. Não podemos simplesmente levar tudo para lá. É preciso também uma campanha que ensine as pessoas a produzir o mínimo de resíduos.”

O diretor geral da Héstia, única construtora que aplica um plano de gerenciamento formalizado desde 2002, Gustavo Selig, também acredita que a conscientização da população deva começar logo. “O pequeno construtor tem de se acostumar desde já para que na hora que começar a ser cobrado já saiba o que fazer, evitando prejuízos."



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